O DECRETO DE ATEMPUS E A CIVILIZAÇÃO URÓBORO (Poesia de Karline da Costa Batista)

E o tempo...
Se me perguntarem, digo que não existe

Decreto a morte do Tempo
Das ampulhetas e do Rolex
Do relógio d’água e de xadrez
De azeite e digital
Do atômico ao quartzo ou de sol
Horológios em decadência!

Nunca mais pêndulos a contar-me os dias
Basta de ponteiros a marca-me a existência
Tempo que perco tanto
E não tenho nunca!

É extinto todo calendário
Big Ben maldito que nos aprisiona a vida
Em elegantes agendas de couro
Voraz estômago de cupim

Abaixo o império de Cronus !
Uróboros que somos
Nunca nascemos nunca morreremos
Herdeiros de Kairos ,aguardamos Aevum
Exonerado está o Ontem, o Amanhã e o Depois
Aposentados estão as Horas, os Minutos e os Segundos
Suplantados pela Revolução de Atempus

O universo para Ser não precisou explodir
Porque desde ali já existia, ó decrépito Big Bang!
E em estabelecimento do Artigo primeiro e único:
-Tudo e todos são infinitos!
E se infinitos são, começo e fim se perdem
Porque tudo que termina, um dia foi começo
E tudo que se inicia, com o fim aninha-se
Pois se sabe que não é o tropeço que principia a queda!







Autora: Karline da Costa Batista
Contato: karlinecosta@gmail.com
Blog: http://anancara.blogspot.com.br

Concurso: Prêmio Alt Fest! de Poesia - 2011
Organização: Alt Fest! e Fliporto - PE
Classificação: 2º lugar

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