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Balão (Poesia de Wlange Keindé)


Eu

Você e

Aquele sentimento inflou

Como um balão subiu ao céu

E não conteve seu esplendor desceu ao chão

Rodeado por serpentes de fogo engolido

Rodopiando como um peão meu balão

Em um olhar tudo isso aconteceu

Um sentimento que nasceu

E morreu







Autora: Wlange Keindé
Contato: wlangekeinde@gmail.com
Blog: Ficçomos|Youtube

Concurso: Poemas nos Ônibus de Santa Rosa – 2014
Organização: Prefeitura de Santa Rosa - RS
Classificação: 1º lugar na categoria juvenil

ATHAYDE (Poesia de Wlange Keindé)

Athayde era menino
Quando tudo aconteceu,
Pés queimados pelo asfalto
E o vigor que Deus lhe deu.

Ia à rua c’uns moleques
Naquela mesma manhã,
Mas a mãe ficou doente,
“Filho, deixa pra amanhã”.

“Tudo bem, mamãe, eu fico”,
É o que um bom filho diria,
Já Athayde era teimoso,
Queria porque queria.

A mãe só tinha esse filho,
O pai já estava no céu.
Tinha ido se encontrar
Com o outro filho, Léo

Naquela manhã de vento,
Caminhando devagar,
Athayde foi pra rua,
E sua mãe no sofá.

Chamou todos os vizinhos
E aprontaram, toda a gente.
Maior sonho de Athayde
Era farra eternamente.

Naquela manhã de riso
Foi futebol com latinha,
Foi corrida, pique-pega
E paquerar menininha.

Na casa daquele velho
Tinha um grande pé de manga,
Um pequeno de acerola
E dois ou três de pitanga.

Junto c’os outros garotos,
Athayde pulou o muro,
Mas na hora de cair,
Foi joelho no chão duro.

O velho acabou ouvindo,
E foi saindo de casa.
Os meninos, sem esforço,
Saíram, na gargalhada.

Athayde foi de apoio,
Também conseguiu sair.
Todo o grupo, na calçada,
Estava sentado a rir.

Foi quando viram na esquina
Uns caras estranhos, grandes.
Alguns viraram na deles,
Nunca foram vistos antes.

Os outros meninos fugiram;
Athayde não podia.
Na esquina era sua casa,
Onde sua mãe dormia.

Naquela manhã de festa,
Athayde ouviu um disparo.
Queria correr depressa,
Com o joelho machucado.

Não deu tempo de chegar,
Os bandidos já saíram.
Com dinheiro, entre outras coisas,
Foram pr’um carro e sumiram.

Naquela manhã de horror,
Athayde entrou em casa
Invadido pelo choro;
Sua amada mãe sangrava.

Ele correu pros seus braços,
Ela fez sua partida:
“Athayde, meu menino,
Boa sorte nessa vida”.

Acabou assim, tão rápido.
Athayde ficou mudo;
Agora, sem sua mãe,
Ele estava só no mundo.

Naquele dia de mágoa,
Athayde sentiu um peso.
De uma manhã de alegria
Surgiu seu triste começo.

E Athayde foi crescendo,
Athayde era da rua,
Athayde se virava,
Pois a vida continua.







Autora: Wlange Keindé
Contato: wlangekeinde@gmail.com
Blog: http://pensamentosquasediarios.blogspot.com.br/

Concurso: 3º Concurso de Poesia da Fundação José Francisco de Sousa - 2014
Organização: Fundação José Francisco de Sousa
Classificação: 8º lugar na categoria Cordel

VOCÊ QUE NÃO SONHA COMIGO (Poesia de Wlange Keindé)


Ontem eu prometi que não iria sofrer.
Hoje a saudade é maior que a promessa.
Sabia que as madrugadas têm sido mais frias?
Pelo menos para mim é assim.

Em uma noite barulhenta eu sonhei com você.
Sei lá, achei que você devia saber.
Mas esqueci que nada disso cabe no seu coração de plástico,
Feito das minhas lágrimas de petróleo.

Um dia, a névoa cobriu o chão.
Não consegui ver onde eu pisava.
Isso te lembra alguma coisa?

Fiz um origami num papel vermelho
E entreguei a uma criança de olhos marrons.
Não sei se você quer saber,
Mas a criança sorria como eu nunca sorri depois daquele dia.

A verdade me sufoca cada vez mais
E as coisas boas da vida tardam a vir.
Temo entristecer os amantes da felicidade
– esta droga inoportuna –
Mas não quero decepcionar aqueles que entendem as realidades.







Autora: Wlange Keindé
Contato: wlangekeinde@gmail.com

Concurso: 1º Concurso Internacional de Literatura da ALACIB - 2013
Organização: Academia de Letras, Artes e Ciências Brasil (ALACIB)
Classificação: 4º lugar, Menção Honrosa