Mostrando postagens com marcador Aparecida Gianello dos Santos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Aparecida Gianello dos Santos. Mostrar todas as postagens

PARTICULARIDADES (Prosa de Aparecida Gianello dos Santos)

Tudo o que ela queria era um pretexto para faltar à aula naquela manhã. Não conseguira,
porém, pensar em nada que fosse convincente para dizer à mãe, na noite anterior. E...
O despertador toca... Hora de levantar.
– Ana?...
– Mm?...
– Acorda!
– [...]
– Anááá?!
– Huuumm?...
– Vamos! Levante-se, já pra escola!
– Mas, mãe!...
– Mas o quê?
– Hã... Eu não posso.
– Por que não?
– Porque sim.
– Como é que é?
– Porque sim, quero dizer, porque não!
– Não me enrola! Não pode, por quê?
– Já disse... Porque não.
– Explique-se melhor, mocinha!
– Mãe, é o seguinte: hoje eu não posso ir à escola porque eu... Não posso! Por isso.
– Mas por que “raios!” não pode? Posso saber?
– Porque eu... Porque sim! Pronto!
– Porque sim, agora? E o “porque não”? Vamos, responda... Fale por quê.
– Por quê?... Porque está chovendo?!...
– E por que você tem um guarda-chuva?
– Mas mãe, por que não faltar, só hoje? Explique.
– E faltar por quê? Explique você! Tem algo que não quer me dizer, hem?
– Ai, como eu sofro!...
– Porque quer. Se dissesse o porquê disso, talvez não tivesse por que lastimar.
– Está bem! Eu digo. É porque hoje tem prova...
– Prova? Não entendo por que o drama...
– Eu é que não entendo... Não entendo bulhufas do conteúdo.
– Sobre?...
– Particularidades do “porquê”.
– Por que não me disse antes?
– Por quê? A senhora sabe?...
– Não. Por que saberia?
– Por nada...







Autor: Aparecida Gianello dos Santos

Concurso: V CLIPP - Concurso Literário de Presidente Prudente - 2012
Organização: Prefeitura de Presidente Prudente - SP
Classificação: Seleção para publicação

O JOGO DA PACIÊNCIA (Prosa de Aparecida Gianello dos Santos)

– Pai?! Pode ir jogar play na casa do Betinho?
– Não. Esse menino mora muito longe.
– Então, posso jogar na net?
– Não. Nem conheço essa aí.
– Aff! Deixa pra lá... Posso pintar o cachorro?
– Claro que não! Ficou doido?
– Brincadeirinha! É só pra ver se o senhor tá ligado, entende?
– Brincadeira esdrúxula, entende?
– Não. Mas posso jogar aqui em casa, então?
– Nem...
– Por favor, pai! Deixa vai?
– Já falei que não...
– Posso fazer a lição?
– Não.
– Ah, agora te peguei, hem pai?!
– Pura distração. Não me pega mais.
– Então, vamos no shopping?
– Vamos ao shopping!
– Legal! Vou trocar de roupa.
– “Vamos ao shopping” é o jeito certo de se falar, e não “vamos no shopping”. Foi só o que eu quis dizer. E porque essa ideiade ir ao shopping agora?
– Pra jogar, ué?! Vamos?
– Não me enrola, moleque! Já disse que não.
– E jogar no seu cel., posso?
– Não. Nada de brincadeiras virtuais por hoje.
– Então, posso fazer uma fogueira no meio da sala?
– Não.
– Descer a escada na tábua de passar?
– Não.
– Cortar meus cabelos?
– Não.
– Depilar o gato?...
– Hei! Que idiotices são essas?
– Hã... Nada. Fiquei sem ideias. O senhor disse: “nada de brincadeiras virtuais”, lembra?
– Mais uma e você vai ver, seu engraçadinho!...
– Quero ver, então!
– Ok. Está de castigo.
– Ah, não! Game over!...







Autora: Aparecida Gianello dos Santos

Concurso: V Concurso Literário de Presidente Prudente (CLIPP) - 2011
Organização: Prefeitura de Presidente Prudente - SP
Classificação: Seleção para publicação

DIA DE FEIRA (Prosa de Aparecida Gianello dos Santos)

Ontem, enfiei o pé na jaca. Falei abobrinha. Aliás, a horta toda. Resultado: minha moral foi pros quiabos, e a coisa ficou mais preta que jabuticaba madura.
Meu chefe me mandou embora só porque eu o mandei catar coquinho. Carambola! Não podia me dar um desconto?
Minha mulher, meu chuchuzinho, está um verdadeiro limão. Disse que minha batata está assando.
Agora, vê se pode, eu com esse abacaxi e a galera só manga. Ninguém faz nada. É como diz o ditado: “pimenta nos olhos dos outros...”.
Quer saber? Às favas, todos os problemas. Como os morangos. Ficar chorando pitangas é que não vou. Eu quero é mamão com açúcar, e banana pra todo mundo.
Além do mais, o pepino não é só meu. Cana ao verdadeiro culpado: Zé das Couves. Foi ele quem inventou a manguaça!







Autora: Aparecida Gianello dos Santos

Concurso: V CLIPP - Concurso Literário de Presidente Prudente - 2011
Organização: Prefeitura de Presidente Prudente - SP
Classificação: Seleção para publicação