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DIÁLOGO (Poesia de Reinaldo Yamauchi)


Não estava preparado para ouvir
e as palavras se tornaram vazias.

Quando estive preparado,
nenhuma palavra se fez necessária:

Nossos silêncios se entrelaçaram mutuamente.







Autor: Reinaldo Yamauchi
Contato: y.reinaldo1970@yahoo.com.br

Concurso: V Prêmio Literário Canon de Poesia 2012
Organização: Canon, Fábrica de Livros e Editora Scortecci
Classificação: Seleção para publicação

O INVÓLUCRO E O VENTRÍLOQUO (Poesia de Simone Brichta)

Dentro daquela caixa tem um esquecimento: vapores suspensos.
Coisa curiosa a fumaça do pacote.
Coisa que oculta o azul do céu: em combustão.
A poeira que se elevou do solo assentou depois da chuva.
E na noite todos dormiam.
E tudo era sombra.
E nada sabiam.

Em vão mãos cavam o chão, não encontram nada
e ficam em cólera.
O obscuro, o monturo,
as faces sem rosto no lúgubre.
Esquecem ou omitem.

Surgem os passos anchos
com os pedantes de garras sombrias.
Lá, cérceo ao chão,
fátuo insano e pretensioso ufano
no altivo círculo amaneirado
em voar pra fugir,
que não vale o vôo.

Na engrenagem,
da abordagem fria,
e na bazófia rala,
da fanfarrice aguda
com volta presumida,
de aperto soberbo,
e aceno entufado,
na ida sem volta,
na trapaça
no uso, no abuso.

E procurando a saída da treta
não se entende a tramóia.
Nada era tal qual parecia, apenas cenas
e palavras recortadas de frivolidades
que tanta prosa pode ser lorota.
Entre engonços, cordéis,
sustentam as marionetes,
contudo, caem, são as máscaras,
mas não perdem a mania,
continuam as personagens.

Vem o vento que vi ventríloquo.
Vai que move o pé,
a boca, e a mão do boneco.

Desmiolado, o fantoche refém do ventríloquo, que é sem ser
ninguém.
E quantos ventam no ar que outros movem,
sem saber, quem são?

Que continuam, apenas querendo,
ser aquele que o movimenta?
Os seus membros moles, e sem pensar
quem manda

e mexe o fio que comanda o poder. É tão louco, sem sentido.
E os comandados, pelo ventríloquo, sem emoção própria
são sombras do comando.

Roda argola e agora gira o que faz depois?
Abre-se a corola da flor
Em meio de tudo,
no entorno em ascensão acende um luzente.
Voa um mensageiro, tocando cítara.
Um pirilampo alado.

Tempo de sair do fundo do tempo.
Tempo de correr no oposto do tempo.
O tempo que não está no relógio.

Antes de criar asas,
no casulo do bicho-da-seda.
Silêncio, barulho interno,
desligando contato externo.
Visto outro céu sem travas, um espaço
que chove canções não decifradas.
Em túneis de labirintos,
com olhos dentro da pele,
o lugar mais profundo
qual mapa não existe.

Mas desperta a nascente,
do rio dentro da gente
de esquinas infinitas
na estação, dentro do trem
através das janelas
avista-se o abismo
mas existem caminhos

os sentidos
que sutilmente dançam.

Líquido em movimento,
vaza e esvazia a caixa.

Fumaça resinosa,
incenso, leva o amargo,
criando teias, ciclo.

Jorra água, sede de secar.
Intenso e flexível em fusão.

Sentir o começo,
ficar aberto,
receber o outro.

De tudo, passa,
aquece e evapora,
impureza que absorve.

Vazio do início,
para filtrar, o começo.

Gera o ciclo, da ciranda,
das trocas que abrem
e fecham o invólucro.

Como tudo que pulsa:
para protagonizar,
a própria cena.

Sobretudo
de todas as estruturas
de todas as construções.

Infinito reciclado.
Pensando no pensar,
segue o trilho suspenso.

Numa certa hora distante
de tudo
no canto do recorte
entrando por um buraco
invisível e saindo
do outro lado.

Chegando à ponte
após naufragar
liberta-se.

Entre palavras silenciosas
no despertar do sonho.
No entorno.
Entre cada um.
Na troca, nos rabiscos
em nós, gente, um eu e você,
no encontro.







Autora: Simone Brichta
Blog: http://subindoemarvores.blogspot.com.br

Concurso: IV Prêmio Literário Canon de Poesia - 2011
Organização: Canon, Fábrica de Livros e Editora Scortecci
Classificação: Seleção para publicação

NADJA (Poesia de Carlos Eduardo Marcos Bonfá)

Nada há
Que impeça
De,
Tentacularmente,
Vagar
Como sonho e esperança.
Porção móvel de esperança
Na espera
De,
Ao acaso (objetivo),
Encontrar
Uma mão de fogo na água
(Pois o fogo e a água
São a mesma coisa,
Mas o fogo e o ouro não).







Autor: Carlos Eduardo Marcos Bonfá
Contato: ce.bonfa@terra.com.br
Blog: http://carloseduardobonfa.blogspot.com

Concurso: III Prêmio Canon de Poesia - 2010
Organização: Canon do Brasil e Scortecci Editora
Classificação: Seleção para publicação

MULHER (Poesia de Regina Araujo)

Mulher da cidade,
do campo, da vida,
castrada, sofrida.
Com força segue a corrida
na luta pela certidão.
Papel que lhe permita
ser gente, ser humana.

Ser mulher...
Mulher de esforço e conforto,
que no colo acalenta o amor
e no peito bate a mão
em defesa do seu reino maior:
O filho, o amor, a condição.

Mulher cidadã...
Que na praça se reúne
com outras irmãs
em busca de ouvidos e olhos
para lhes compreenderem na dor
dos filhos levados, corrompidos, torturados.

Cidadã mulher...
Que na cama se deita
a cumprir o ofício maior:
Ser mulher...
Sem gozo, com desejo,
seu afã é satisfazer o amor.
Puro preceito antepassado
que lhe proíbe o júbilo formal
o direito de ser mulher.

Mulher da vida que carrega o desejo
ou mulher do véu
que tem seu desejo extirpado
a sangue frio por toda a vida.

Uma cidadã de corpo e alma,
com ou sem sexo,
simplesmente um humano angelical.
Um cidadão que também é mulher
seja no beco, no berço, ou na bênção,
simplesmente uma mulher.







Autora: Regina Araujo
Contato: regina.araujo.escritora@oi.com.br
Blog: http://muraldosescritores.ning.com/profile/ReginaAraujo

Concurso: I Prêmio Literário Canon de Poesia - 2008
Organização: Canon / Scortecci Editora
Classificação: Seleção para publicação

APOCALÍPTICOS (Poesia de Alam Arezi)

Não caia,
Não surte,
O mundo vai se desvirginar e padecer,
Feito as belas e saudosas películas da década de cinqüenta.

Não morra.
Não sue,
epileticamente estaremos envoltos, abraçados
- E nossas línguas lamberão toda a sujeira das periferias.

Não sinta: ignore.
Não enxergue: tudo estará transparente demais,
A verdade deixará de ser um conceito isomorfo,
e todos os corações irão receber a mesma dose de adrenalina.

Não é agora.
Não é ainda hora.
Bichos atrozes tirarão gravatas, e melancólicos talvez eles pensem:
Em toda a fortuna que poderia ter sido construída com menos dinheiro.







Autor: Alam Arezi
Blog: http://cabecavoodoo.blogspot.com/

Concurso: III Prêmio Literário Canon de Poesia - 2010
Organização: Canon / Fábrica de Livros / Scortecci Editora
Classificação: Seleção para publicação

POR NÓS... (Poesia de Janaina Santos Barroso)

Lembro de você todos os dias
E todos eles me doem,
Os dias.

Frios, quentes, mornos
Chuvosos e de sol,
Me doem.

Doem meus ossos nos quentes
Que eu sinto seu perfume,
De Sol.

Te sinto nos momentos dificeis
Em que tudo parece perdido,
Seu perfume.

As vezes fico mesmo, aflita
Exausta, com medo por tudo,
Parece perdido.

Nas noites quando me deito
A saudade aperta e sufoco
Por tudo.

Mas ainda estou aqui de certa forma
Sete anos depois nos lamentos,
E sufoco.

Mas sua semente me faz feliz, sua filha
Até neles consigo sorrir, por ela,
Nos lamentos.

Tudo isso acontece quando estou só
Perto dela é diferente, consigo sorrir,
Por ela.

Por Você.
Por Nós.







Autora: Janaina Santos Barroso
Blog: http://ninabarroso.blogspot.com.br/

Concurso: IV Prêmio Literário Canon de Poesia - 2011
Organização: Canon / Fábrica de Livros / Scortecci Editora
Classificação: Seleção para publicação